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Saindo do atoleiro

Por: Rafael Ferreira - 21/01/2014
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Esta semana tive a oportunidade de conversar com um antigo amigo da faculdade o qual também foi meu companheiro de trabalho em uma empresa de comunicação. Ele me contou que havia pedido demissão e que estava satisfeito por tê-lo feito.
 
A atitude dele foi gerada por insatisfação dos relacionamentos pessoais, da pressão e desgastes da profissão e da falta de bem-estar dentro do local de trabalho. Assim como ele, já tive oportunidade de sentir um calafrio percorrer a espinha quando se aproxima o fim da noite de domingo.
 
Aquela boa sensação de ter um trabalho bom, com pessoas agradáveis já era uma utopia e a realidade tornou-se algo próximo do que pode-se chamar, inferno. Esta é a sensação de quem dá o primeiro passo a tomar atitudes precipitadas devido à atuação de terceiros em nossa vida profissional. A falta de sono, o cansaço físico e mental nos trazem a sensação de derrota e fraqueza diante de tantos obstáculos na profissão ou até mesmo no lado pessoal.
 
Todavia, o que me deixou satisfeito é que a atitude dele o deixou mais aliviado, mesmo sabendo que estava desempregado – coisa que no Brasil pode demorar um pouco a se resolver. E mesmo com o risco de ficar sem emprego, assim como algumas outras pessoas fizeram naquela empresa – incluindo eu -, correu o risco do desemprego para ser feliz e não perder o que era mais valioso, a sanidade.
 
Especialistas alertam que casos extremos em que o trabalhador se esgota são muito perigosos e levam à Síndrome de Burnout (numa tradução livre do inglês significa combustão completa) ou Síndrome do Desgaste Profissional. A International Stress Management Association (ISMA) fez em 2002 uma pesquisa com profissionais de nove países onde mostrava o Brasil no segundo lugar do ranking em trabalhadores estressados. E mais, cerca de 70% da população economicamente ativa sofre de estresse ocupacional. Desses, 30% são vítimas do Burnout. Não por acaso, o Código Internacional de Doenças (CID) classifica a síndrome como acidente de trabalho.
 
Desgastes físico e emocional estão em nossa vida como o arroz está para o feijão. A palavra stress tem origem no latim e conforme o Oxford English Dictionary, foi empregada popularmente a partir do século XVII com o significado de “fadiga”, “cansaço”, alguma coisa “apertada” ou “penosa”. Este conceito foi inicialmente muito utilizado na área da Física para explicar a relação entre força e reação dos corpos.
 
Daí, quando este amigo esteve no ápice da situação, resolveu fazer uma transformação muito profunda em sua vida, algo muito maior que uma mudança de circunstância da vida. Ele decidiu sair do lugar onde sempre sonhou estar e se esforçou para estar, agüentando até a última conseqüência para manter-se lá e ao todo, quase três anos de muita dedicação.
 
Bom ou não, a situação não deve de forma alguma ser rotulada e sim, tomada de exemplo para que analisemos nosso cotidiano. O desgaste é muito perigoso no que se refere à relações. Ter coragem de suportar obstáculos e seguir com sonhos é difícil, mas estes obstáculos não estão em nossa vida por “simplesmente estar”.
 
Em grande parte das vezes, os obstáculos ou facilidades são frutos de nossas escolhas. Para ser mais sintético, recordemos do Efeito Borboleta, onde, segundo a teoria, afirma que “o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo”.
 
Assim acontece com cada passo dado na vida. Inclusive é sabido que através das palavras que usamos podemos fazer as grandes bênçãos ou as grandes pragas. Muitas guerras, crimes, brigas e divórcios poderiam ser evitados se soubéssemos ou conseguíssemos ter um pouco mais de controle. Claro que podemos também fazer milagres ao usar palavras banhadas por carinho, respeito e bons sentimentos.
 
O coração apertado, a alma confusa seguida da sensação de viver os bons e velhos momentos de felicidade. Conflitos, caminhos que tomamos ao longo do tempo, escolhas e alguns arrependimentos. Realmente muito pequenos quando tomados de uma profunda tristeza que nos deixa na inércia completa, mas fantásticos quando podemos olhá-los com um sabor de sabedoria e vontade de crescer.
 
O esgotamento no ambiente de trabalho – ou pessoal - nem sempre é irreversível. O artigo “Dealing With Professional Burnout Without Quitting Your Job“, publicado pelo The Simple Dollar tem dicas de como melhorar a situação perante um ataque extremo de stress provocado pelas situações cotidianas.
 
Coragem
 
Ederson Peka
 
No limite da sua realidade,
Diante dos abismos da incerteza,
O homem desafia a Natureza:
Projeta-se, mortal, na infinidade;
 
Alçando vôo, desenhando proezas,
Dando asas à criatividade,
Comprova que há a possibilidade
De que o homem, criatura indefesa,
 
Desfrute de um poder maior que o medo,
Cancele o que impede o crescimento,
Com coragem pro que der e vier;
 
Baseie-se não no que se está vendo,
Vença as limitações do sentimento,
E caminhe pelas forças da fé.
 
Referência:
The Simple Dollar. Dealing With Professional Burnout Without Quitting Your Job. [online] Disponível via WWW. URL:  HYPERLINK "http://www.thesimpledollar.com/2007/11/01/dealing-with-professional-burnout-without-quitting-your-job/" http://www.thesimpledollar.com/2007/11/01/dealing-with-professional-burnout-without-quitting-your-job/
 
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