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Formas vazias

Por: Pedro Victor - 22/03/2014
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Dentro das artes marciais uma das formas de treino consiste em uma repetição exaustiva de movimentos. Esta forma de treino é pautada no condicionamento das reações do corpo a certas situações. Apesar de alguns expoentes das artes marciais acreditarem que esta é a única forma de treinamento, restringir a técnica à sua execução é um equívoco.

 

Atualmente vivemos um contexto de mudança de paradigmas. Diante a ineficácia de certos métodos de ensinos temos vivido mudanças na didática. Atualmente prioriza-se o desenvolvimento do pensamento crítico e da capacidade de resolução de problemas, algo que atrita com o método repetitivo tradicional. Quando o treino se restringe a repetições, o praticante poderá entrar em conflito em uma situação em que haja uma mudança na forma de execução, uma vez que seu conhecimento se restringirá situações rígidas, enquanto o método crítico procura soluções para qualquer situação.

 

A limitação do estudo à repetição também causa a perda do sendo crítico do praticante. A perda do senso crítico advém da reprodução rígida de formas pré-estabelecidas, excluindo as formas paralelas de estudo. Além disso, artes marciais não se restringem apenas a técnicas e a movimentos, elas possuem um aspecto antropológico e cultural. Ao se observar certas técnicas e sequências percebem-se traços da vida de determinados povos. O ato de realizar o Tiburi, em Iaijutsu, não representa somente o ato de se limpar o sangue, revela também o misticismo da população do Japão feudal.

 

Assim, percebe-se que restringir o treinamento a repetições é um erro que ocasiona consequências tanto para a arte quanto para o praticante. Apesar de sua relevância para o condicionamento do individuo, a escolha por métodos que desenvolvam o raciocínio, para resolução de problemas, e o espírito crítico, para que a arte não se limite a formas rígidas, é fundamental. Além disso, reproduzir algo sem se importar com a seu contexto cultural e com as suas fundamentações, é uma perda não só para o espírito investigativo da ciência, mas para a cultura de toda humanidade.

 

Bibliografia e referências:

Shidoshi Thiago Finotti

Uchi-deshi Adriano Afonso

http://www.ufrgs.br/psicoeduc/wiki/index.php/M%C3%A9todos_de_ensino-#Pedagogia_Pragm.C3.A1tica

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