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Origens

Por: Adriano Afonso - 24/05/2014
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É engraçado como é a vida, em geral reconhecemos nossas coisas quando não as possuímos mais, seja no mundo pessoal, profissional e infelizmente, no mundo de hoje, no econômico. Em um determinado período da minha vida sobre os cuidados dos meus pais fomos morar fora do país por alguns anos devido a várias questões motivadas principalmente pela crise financeira que estávamos passando.

Digamos de passagem, foram tempos de muitas dificuldades e superação e às vezes volto-me a pensar sobre os vários momentos e constato que foi sem dúvidas um grande recomeço que precisávamos passar. Fomos com a incerteza de que iríamos retornar ao nosso país, meu pai engenheiro mecânico já com muitos anos de experiência e minha mãe assistente social submeteram-se a variados tipos de trabalhos, pois como diz o ditado popular, “quem não tem cão caça com gato”. Mas olha, sinceramente, o que importa no final do dia é estarmos felizes com aquilo que fazemos, pois não adianta diante de situações como estas fazer muitas escolhas.

A valorização e reconhecimento são infelizmente processos que se dão somente no futuro geralmente quando se tem uma estrutura já bem consolidada. Mas não podemos confundir valorização com revoltar-se diante das adversidades que a vida nos impõe. Este eu vejo como um limiar tênue com o qual devemos ter bastante cuidado, pois é muito fácil diante de qualquer crise revoltar-se, lamentar-se e principalmente desacreditar dos outros e de nós mesmos. Lembro de uma frase de Guimarães Rosa em Grande Sertão Veredas: “Deus está debaixo da mesa; o diabo está atrás do armário”. Nós, humanos que somos, temos nossos momentos de bem estar e de sucesso, bem como momentos de crises onde estamos sujeitos a enfrentar ou não nossos medos e dificuldades.

Enfrentar ou não é uma escolha, tomada de acordo com aquilo que você acredita, diante de suas verdades internas. Devido a isso é importante buscar sempre estar lúcido principalmente quando nossos pensamentos estão desorganizados. Pois não podemos voltar no passado e modificar a nossa trajetória, mas sim podemos reavaliar nossos erros e corrigi-los de acordo com nossas verdades do momento, pois há de se esperar que no futuro tenhamos que redefini-las novamente assim como nossos atos.

Acredito ser um passo muito importante para tal mudança retornar as nossas origens, é lá que está a chave para superação dos nossos medos, dos nossos traumas, de nossas dificuldades. Mesmo que pensemos que estamos sós, em verdade basta olharmos para o lado e descobrir que estamos repletos de pessoas que prezam pelo nosso bem - em verdade acredito que o sentimento de estar só é um reflexo do sentimento de estar cheio de si. Por isso, devemos ter em mente que não podemos comprometer uma estrutura por conta de um erro, por conta de uma pessoa, de um sentimento...

Valorize-se mas nunca esqueça suas origens, por onde você passou, e as pessoas que lhe ajudaram.

Referências:
Shidoushi Thiago Moraes
Guimarães Rosa- Grande Sertão Veredas
Momentos em Família
 

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