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Repartir ou Dividir?

Por: Adriano Assis Afonso - 15/09/2014
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Atualmente no mundo em que vivemos nós temos grande facilidade de encontrar inúmeros e variados bens de consumos duráveis ou não, necessários ou não, para as nossas vidas. É claro, a realidade de cada um também é um fator importantíssimo e determinante nesta facilidade, mas mesmo assim, antigamente, digo no sentido mais amplo era mais difícil o acesso a tais bens. 
 
Neste período era comum uma prática de cunho muito bonito que atualmente torna-se raridade ao meu ver, que consistia na repartição das partes mais nobres de um animal para a sobrevivência familiar, entre os vizinhos, ficando para sua família as partes mais simples e somente o essencial. Vem ai um ponto que gostaria de chamar a atenção, pois quando existe essa repartição entre os outros nós estamos permitindo que todos os nossos vizinhos tenham a mesma quantidade que nós, já caso fossemos dividir ao contrário de repartir nós estaríamos diminuindo cada parte, por exemplo quando nós dividimos um número ele torna-se menos em valor que o anterior e assim sucessivamente. Desta maneira antigamente a mesma prática seria seguida pelo os outros vizinhos, que na próxima eventualidade receberíamos a parte mais nobre.
 
Por outro lado, tal prática nos indica que tais famílias sabem muito bem o sentido de “ter” e não o de “aquilo que me tem” por isso optam pela repartição e não pela divisão. Desta forma, nós podemos claramente ver que o mundo capitalista em que vivemos não é um mundo de repartições mas sim de divisões, divisões de classes, de poder, de interesses... pois quanto mais eu tenho mais eu quero para mim e não para todos.
 
Por isso mais uma vez acredito que primeiramente independente se somos pobres ou ricos, devemos saber se aquilo que eu tenho me satisfaz e não se eu satisfaço aquilo que eu tenho, pois a satisfação é algo que nos enche, nos completa, nos induz a felicidade. Felicidade é ao meu ver uma essência de extrema importância para o ser humano em que é encontrada em determinados momentos de nossas vidas nos quais sentimos falta de algo, de alguém, de um cheiro, de um abraço, de um beijo entre outros. Pois ai buscamos saciar algo essencial para as nossas vidas e para as nossas realidades, alimentando assim nossa felicidade. Já o contrário, a tristeza é acompanhada da dependência, do vício, no sentido da incapacidade de parar e desfrutar a satisfação dos momentos, da realidade.
 
Devemos buscar alimentar o nosso jardim a nossa plantação, livre dos aspectos mais materiais pois esses somente compram o interesse, aliados a desilusão de uma vida feliz e farta. A dúvida aliada a lucidez dos nossos sentidos é a chave para compreender aquilo que nos completa, aquilo que nos satisfaz!
   
Referências:
Shidoushi Thiago Moraes
Filme -  A Busca Pela Felicidade
Livro – Não Se Desespere! Provocações Filosóficas; Mario Sérgio Cortella 
 
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