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COLUNAS

Das Limitações

Por: Rafael Ferreira - 23/02/2014
O corpo humano, as grandes edificações, a natureza e as teorias; é possível encontrar limitações em várias circunstâncias. O próprio ser humano não consegue ficar sem respirar por um longo período, como também suportará certo tempo sem água e alimentos, até definhar por completo. E qual a importância do limite? Onde há razão para que isso aconteça e assim nos tornemos cerceados por barreiras até mesmo invisíveis? 
Saiamos das barreiras naturais e busquemos exemplos importantes em barreiras que nós mesmos nos colocamos. Qual o peso de uma limitação para que ela se torne um referencial para a pessoa e assim criemos um processo de evolução? A piscina longa de mais, o caminho demorado de mais, a constância em escrever uma redação, tudo na vida pode ter um limite, mas podemos sim fazer com que mais e mais as barreiras se afastem de nós e criem campos mais largos de atuação.
Já pensou em começar a ler um livro, mas sempre teve dificuldade nisso? Uma colega do curso de filosofia uma vez contou uma história de adolescência. Ela queria muito ler todos os dias e ter uma quantidade considerável de livros lidos em um ano. Para buscar isso, ela teve de se aperfeiçoar e buscar ferramentas práticas para este processo. Então simplesmente pegou um livro e leu uma página por dia. Criada a regra, lá estava ela, com a possibilidade de trilhar um caminho que teve início com a curiosidade. Um livro de 45 páginas podia ser lido em um mês e meio. E a cada semana ela acrescentava uma página a mais de leitura diária, até que habituou-se a ler. Para quem tinha o limite de um livro a cada ano, passou para um livro a cada dois meses e assim por diante.
Claro, ela não irá ler livros em quantidade infinita em um ano, mas a cada ano poderá transpor uma certa quantidade, a qual era sua limitação. Assim acontece com o corpo durante as práticas marciais. Um corte de espada que não é 100% executado hoje, poderá ser o mais próximo da perfeição com o passar dos estudos. Com isso, por mais que tenhamos restrições, é possível refazer as fronteiras e alçar novas possibilidades. 
Em tempos antigos, Sócrates compreendeu que o sábio tende a conhecer os limites da própria ignorância, mas fazia disso um limiar muito certo da possibilidade de alcançar novas possibilidades através de questionamentos sobre a realidade dele. O alemão Johann Goethe repetiu de certa forma o pensamento do filósofo grego ao dissertar que “o homem que sabe reconhecer os limites da sua própria inteligência está mais perto da perfeição”. 
De fato, é preciso reconhecer os limites e entender a importância deles perante todas as circunstâncias da vida. Ser limitado não quer dizer ser um ignorante, mas quer dizer que existem barreiras, prontas para serem transpostas. 
 
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