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COLUNAS

Da Transformação

Por: Rafael Ferreira - 04/03/2014

Um cabelo que se corta, uma maneira que se trata a saúde, o jeito que se vê a vida. São inúmeras as formas que temos de mudança, as quais podem nos beneficiar mais adiante ou instantaneamente. Desde o início da vida, o homem é feito de transformações, desde a fecundação, até a última centelha de vida, ao apagar das luzes quando se fecham os olhos.

O mais triste, acredito, é a capacidade que o ser humano tem de se acomodar com as situações e fazer da zona de conforto um berço esplêndido. Acredito que essa não seja a melhor forma de viver a vida ou profissionalmente, já que existem tantas barreiras para serem vencidas e tantos mundos para serem conhecidos.

A zona de conforto pode até propiciar um desempenho constante para um determinado indivíduo, mas o torna limitado e seguro. Esta segurança, além da ausência de medo, risco ou ansiedade, agrada confortavelmente a pessoa que que se veste de propriedade para dizer “estou bem aqui e não me agrada sair daqui”. É um ponto de vista, claro, já que não é errado pensar assim.

Um grupo de amigos certa vez decidiu largar tudo e ir embora para São Paulo, capital, afim de executar estudos em especialidades que eles pretendiam seguir durante a vida profissional. Alguns venderam carro, um deles vendeu a bateria que havia adquirido com tanto esforço, coleções de dvd’s e tantas outras coisas que prestigiaram durante a infância. Todos passaram mais de seis anos na capital paulista e hoje, formados, estão no mercado que escolheram, a cada dia buscando serem referência no que fazem.

Não duvide que, na época que foram embora, foram tachados de loucos e sem noção. Em verdade, as pessoas que disseram isso não sabiam a grandiosidade dos sonhos e o desejo de vencer daqueles meninos. Além do que, venceram a si, rasgaram o véu da zona de conforto e descobriram todo um universo inexplorado e cheio de vida.

Uma vez, ouvi de um deles, após toda a felicidade encontrada, que “a vida começa onde termina a sua zona de conforto”. Contudo, o fato de escolher sair da comodidade gera uma série de reações, até mesmo orgânicas e dependendo da pessoa, crises intensas de ansiedade e medo. Compreende-se a partir daí que as ações para transgressão desta área varia para cada indivíduo, uns saem com mais facilidade, outros se quer movimentam o pensamento em prol deste desafio.

Enquanto somos crianças, os pais delimitam nossa área de atuação e partir da maioridade, essa responsabilidade é de cada um buscar a própria felicidade.  O filósofo grego Aristóteles disserta na ética que “a felicidade é o fim que natureza humana visa. E, a felicidade é uma atividade, pois não está acessível àqueles que passam sua vida adormecidos. Ela não é uma disposição. À felicidade nada falta, ela é completamente autossuficiente. É uma atividade que não visa a mais nada a não ser a si mesma. O homem feliz, basta a si mesmo”.

E mais uma vez pairamos em uma questão intrínseca ao comportamento do ser. A felicidade começa de dentro, assim como todas as buscas e mudanças que movimentamos. Afinal, a felicidade é força motriz que incentiva na procura pelo que faz bem, pelo que agrega e pelo que nos torna melhores todos os dias.

Então a zona de conforto limita a felicidade? A partir do princípio que o que se busca é a mudança, sim. Além de limitar e trazer apenas o que é suficiente, caímos no conforto como se fossemos embriagados por Hypnos e levados por Morpheus a acreditar que tudo está bem dentro do sono que nos envolve. E como diria Dalai Lama, "só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver."

 

 

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