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COLUNAS

Da irracionalidade do medo

Por: Rafael Ferreira - 31/03/2014

O ser humano não é diferente de outros animais e tem no medo um grande aliado na busca pela sobrevivência. Sem ele, a humanidade certamente teria encontrado outros caminhos, o que é difícil de imaginar, pois estamos imbuídos deste sentimento tão forte. Aparentemente um bom aliado, mas é também um dos maiores obstáculos que tendemos a encontrar ao longo dos anos.

O medo deve se tornar um obstáculo a partir da infância, em que somos de certa forma, impulsionados a pensar que devemos coibir o erro e consequentemente, o medo aflora da incerteza dos atos. O que nos torna arredios e alguns até mesmo impotentes diante da força dos ventos.

Antes de mais nada, sentir medo nos oferece a oportunidade de racionalizar uma situação. Trazendo assim a possibilidade de encarar uma circunstância e resolvê-la de forma mais criteriosa. Uma pessoa que desiste sem lutar, é alguém que se entregou totalmente ao medo e assim não se deu a oportunidade de conquistar algo. Consequentemente a coragem caminha de mãos dadas com este sentimento dúbio, sendo uma habilidade ou capacidade de confrontar o a fonte que propicia o medo.

E não encaremos o medo como sendo um defeito. Este quando encarado dessa forma, petrifica nossas vontades, apaga o brilho do olhar e nos torna seres imóveis dentro das engrenagens do destino. Essa fobia se alastra como se fosse uma malta feroz da mais baixa estirpe. Arrancando tudo que há de direito do ser humano e o fazendo valer menos que a própria essência. Teríamos este direito de cercear nossas próprias vidas e encravarmos em nós uma mácula podre que nos torna seres rastejantes? Creio que não, pois somos criações inspiradas em potencialidades divinas, alguém que chega neste limite deveria fazer um exercício de se olhar novamente no espelho.

Um texto muito interessante que circula na internet mostra algo que deveríamos fazer com mais frequência, não só com os outros, mas conosco. “Há uma tribo africana que tem um costume muito bonito. Quando alguém faz algo prejudicial e errado, eles levam a pessoa para o centro da aldeia, e toda a tribo vem e o rodeia. Durante dois dias, eles vão dizer ao homem todas as coisas boas... que ele já fez.

A tribo acredita que cada ser humano vem ao mundo como um ser bom, cada um de nós desejando segurança, amor, paz, felicidade.

Mas às vezes, na busca dessas coisas, as pessoas cometem erros. A comunidade enxerga aqueles erros como um grito de socorro. Eles se unem então para erguê-lo, para reconectá-lo com sua verdadeira natureza, para lembrá-lo quem ele realmente é, até que ele se lembre totalmente da verdade da qual ele tinha se desconectado temporariamente:

‘Eu sou bom’: Sawabona Shikoba! SAWABONA é um cumprimento usado na África do Sul e quer dizer: ‘Eu te respeito, eu te valorizo, você é importante para mim’ Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA, que é: ‘Então, eu existo para você’.”

 

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