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Saber posicionar-se bem!

Por: Thiago Moraes - 02/04/2014
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Para os antigos mestres de Bugei e Ebunto, nós projetamos incessantemente a realidade que criamos. Recebemos inputs dos mais variados e, inevitavelmente, reagimos à nossa forma respondendo ao exterior o prisma consciencial que estabelecemos ao nos posicionarmos internamente.

Naturalmente, a energia que nos rodeia e que chega até nós encontra a nossa energia pessoal e uma reação ocorre dentro de um sábio equilíbrio universal, gerando tensões que, por sua vez, podem alimentar em retrocesso ou não a relação energética estabelecida. Saber posicionar-se bem! Este é um dos maiores segredos da vida, dizem os mestres. Três aspectos conjuntos em cada instante: saber, posicionar-se e bem.

Saber, neste caso, significa compreender as relações e os mecanismos. Primeiramente, no entanto, o pré-requisito é estar desperto! O adormecimento nos faz sermos levados pelas questões mal resolvidas, pelos impulsos momentâneos, pelos instintos animais pontiagudos que clamam por satisfação, pelo medo, pela vaidade que sem sombra de dúvida impera em nossa época… Chamados também de ventos internos, ao estarmos adormecidos somos por estes levados, conduzidos e arrastados. Com a mente à deriva, nos movimentamos internamente em desordem e entorpecemos a serenidade da consciência. E todo movimento externo é reflexo de um movimento interno.

Posicionar-se significa definir-se diante de situações, cenários, pessoas e, em escala maior, da própria vida! Sim, da própria vida, porque ela constantemente nos pergunta, de tempos em tempo nos relembra e não poucas vezes nos cobra.

“Bem” talvez seja o grande divisor de águas. Afinal, saber é sempre relativo; posicionar-se nem sempre é uma escolha – haja vista que, sob os olhos de um estrategista, não se posicionar é uma forma de posicionamento.  É inevitável: sempre que estabelecemos um posicionamento estamos sujeitos a um enquadramento. Isto quer dizer que quando tomamos uma decisão e nos posicionamos, abrimos inúmeras portas e possibilidades de conexões, ao mesmo tempo em que fechamos e encerramos várias outras. Se a dualidade universal implica a mútua necessidade, o feio precisa do bonito, o alto do baixo e o rico do pobre.

Da mesma forma, todo ciclo de criação depende de um ciclo de destruição e vice-versa! Tanto nas intrincadas artes de guerra quanto no quebra-cabeças da vida, os que buscam uma via de sabedoria entendem nesse mecanismo uma forma de equilíbrio: é necessário sabermos construir tanto quanto destruir. É importante pontuar que o sentido de destruir que aqui me refiro em nada tem a ver com atuar de forma maldosa ou intempestiva. Ao contrário, significa compreender que a criação depende da destruição. Por exemplo, não desenvolvemos uma teoria nova sem refutar a velha, não vivemos inteiramente um relacionamento novo sem sermos verdadeiramente capazes de nos desapegarmos do antigo, não experimentamos novas verdades se ainda estivermos presos às de outrora...

Posicionar-se bem, então, é o que faz com que a realidade projetada reverbere no mar de possibilidades que vivemos nos colocando em contato com correntezas e forças que auxiliem a marcha rumo a cumprir (bem) a história pessoal de cada um!

Já fez uma avaliação recente sobre como você tem se posicionado por dentro e por fora diante de sua esposa/marido, da sua família, da sua carreira, dos seus alunos, dos seus amigos, do seu mestre e de você mesmo?

 

Pode ser que valha a pena! Afinal, como dizia Lao Tse:  “A alma não tem segredo que o comportamento não revele.”

 

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