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COLUNAS

Da brevidade dos sonhos

Por: Rafael Ferreira - 09/04/2014
artigo
 
Quando você tem a oportunidade de levantar-se e correr para onde quer que seja, pra onde pretende ir? Aonde quer chegar? E o que fazer quando chegar? Nem sempre tempos todas essas respostas ou mesmo temos elas em conformidade com nossos atos, mas certamente acontecem em algum instante de nossas vidas, sendo desencadeadas por uma reação breve relacionada à vontade de expandir a zona de conforto ou mesmo de querer sair do lugar comum.
 
Quando era adolescente meus sonhos não tinham o mesmo peso que tem hoje, mas também não podem ser comparados se levarmos em consideração a experiência de vida que torna-se bagagem para a execução de tudo que penso hoje. Todavia, é importante notar o quanto se pode evoluir desde então ou mesmo entender onde se estar para iniciar uma extensa jornada. Particularmente entendo que vivemos enraizados em medos ancestrais e inexplicáveis que de alguma forma nos permite ficar quietinhos, como se fôssemos gatos preguiçosos em uma boa almofada de cetim ou veludo. Daí, dependemos da reação que é desencadeada por alguma condição ou comportamento.
 
 Fui apresentado à Charles Bukowski recentemente e em um dos textos dele podemos ver uma certa contrariedade em torno de algo que é muito comum, o ponta pé inicial sem a finalização. "Os proclamadores estão por toda parte. Eles estão sempre se preparando. Eles raramente começam. E quando o fazem, desistem facilmente. Tudo neles é impulsivo". O ser humano tem certa impulsividade que realmente nos torna irritantes, entretanto, esta irritabilidade é óbvia, vem da ausência da potência em relação ao ato que se deu e finalizou-se como uma brisa.
 
Esse ato que perde a potência é resultado de uma intensa comodidade em torno da zona que estamos inseridos. Seus sonhos podem ter mudado, sua forma de ver o mundo também pode receber influências e ser amadurecida, mas nunca devemos perder a potencialidade de nossos atos, já que o motor primeiro de nossas vontades são os sonhos e estes, nunca deveriam ser esquecidos ou se quer deixados de lado. Ter compromisso conosco é ter também compromisso com nossa vida e de alguma forma com o futuro que está para se formar e nem sempre, aliás, todas as vezes não temos consciência disso, nem mesmo temos consciência de uma palavra mais forte que deixamos escorrer por entre os lábios.
 
A não capacidade de seguir adiante em seu ato também se deve a tantos fatores quanto podemos enumerar; da frivolidade dos relacionamentos ao quão raso somos diante do outro e de nós. Em uma sociedade capitalista ou mesmo não levando em conta nosso ritmo consumista, somos imersos em um mundo de sentidos e valores deturpados, onde sonhos não interessam e o ser em si pouco vale diante da possibilidade do eterno experimentar. 
 
Dessa forma, somos fadados ao erro e esquecemos quem somos de onde viemos e o que realmente sonhávamos. A dificuldade principal não está em identificar-se numa tribo, mas de identificarmos para si o que nos importa em um contexto antropológico moderno. Somos levados pela impulsividade e arrastados num tsunami de sensações que nos faz perder o norte. Afinal pra onde vai o foco se nem isso nos ensinou no começo da vida? 
 
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