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COLUNAS

Da busca pelo entendimento

Por que é tão difícil buscar a parcimônia?

Por: Rafael Ferreira - 09/05/2014
artigo
Eu não encontro palavras para dizer o quanto tempo urge, o quanto as responsabilidades pesam e o quanto podemos ser levados pela maré do cotidiano. Parece que o tempo se torna areia, o chão perde a firmeza e as pessoas se vão como as folhas de uma árvore que seca aos poucos. Amigos são poucos, mas os leais dedicam-se a apontar o caminho certo, os que apenas utilizam da alcunha, aproveitam o momento para repassar adiante as agonias da vida.
 
Em tempos de era digital vivemos a superficialidade das relações e novas síndromes criadas pela artificialidade do ambiente eletrônico. Enquanto algumas pessoas se prendem aos experimentos criados à frente de um monitor, outras buscam encontrar conforto nas boas relações: visitar um amigo, ligar para um ente querido, desejar um feliz aniversário pessoalmente e não por recado eletrônico. Afinal, o ser humano está avançando na luta pela eternidade e não está entendendo a própria existência.
 
Com os novos meios digitais, o ser humano nega a própria morte e eterniza seus pensamentos em mensagens privadas, murais e recados. Esquecemos de eternizar nossas atitudes no coração do próximo e quiçá, lembramos de fazer isso para si. O que há de errado com próprio ser que espelha seus defeitos no outro e não aprende consigo? Numa infinidade de informações o homem tenta aprender uma releitura do comportamento da sociedade e mesmo assim, num comportamento automático nem consegue respirar. 
 
Uma vez escrevi sobre a importância da respiração em técnicas como em Kyujutsu e também Kenjutsu. Da mesma forma que harmonizar o que entra pelos pulmões, devemos harmonizar o que absorvemos do meio. É possível que acreditemos que tudo é aproveitável, mas nem sempre faz-se importante absorver o que vem de fora. Uma palavra mais ríspida é algo que deve ser melhor digerido antes de pensarmos em seguir adiante em alguma atitude.
 
É, tempos difíceis ou dificuldade de ter tempo. Dificuldade em saber que o universo do outro é particular assim como o seu e dificuldade de abaixar a guarda quando alguém não entende o que faz. A responsabilidade para o outro equivale a própria que se tem consigo. Com o tempo a vida caleja o ser humano levando-o à dois caminhos: aquele em que se cria uma couraça impenetrável ou aquela que o torna livre de tudo. Assim, como no provérbio japonês, “quanto mais forte você ficar, mais gentil você será”.
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