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COLUNAS

A importância do instante

Por: Raoni Rosa - 08/09/2014
artigo
Nós percebemos o mundo em quatro dimensões. Além das três dimensões físicas, temos total consciência do tempo, que é a quarta dimensão. Embora não de imediato (as crianças precisam chegar a uma certa idade para conseguir entender os conceitos de ontem e amanhã, por exemplo), mas todos os adultos normais têm total entendimento quando se fala em passado, presente e futuro. 
 
Embora seja uma grandeza mensurável, o tempo é relativo. Mesmo sem precisar entrar nos detalhes da complexa física moderna, todos nós já tivemos a nítida impressão de horas que pareceram minutos, ou o contrário, minutos que se arrastaram como se fossem horas. Logo, percebemos que a nossa noção de tempo tem muito a ver com a forma como nosso cérebro e mente percebem nossas atividades, e associando-as com aquilo que já vivemos e definindo assim, um “tempo esperado”. Nosso cérebro também é responsável por organizar muito das nossas memórias. Por causa da interessante forma que o cérebro tem de organizar lembranças e acontecimentos, se diz que “os dias nunca foram tão longos e os meses tão curtos”. As rotinas diárias as quais estamos submetidos fazem com que todos os dias se pareçam muito, e o cérebro então se encarrega de apagar essas memórias repetidas, transformando muitos dias em apenas um. Daí a sensação que o tempo estão “voando”!
 
Mas se olharmos um pouco mais de perto, veremos que dentro dessa linha de tempo, passado, presente e futuro, apenas uma delas é real. O passado é formado pelas nossas lembranças, altamente enviesadas para aquilo que desejamos (ou não) lembrar. O fato da nossa memória ser seletiva é de conhecimento geral. O futuro ainda não chegou, e pode não chegar nunca. Logo, nos sobra o instante presente, aquele que vivenciamos aqui e agora. Textos e textos foram escritos sobre isso, sobra a importância de entender e valorizar o presente, o instante que vivemos agora, que é apenas o que realmente existe. Logo, longe de querer ser um texto explicativo, essa coluna é apenas para compartilhar reflexões feitas em primeira pessoa.
 
Em uma aula recente com meu Professor, ele comentava e exemplificava a grande capacidade que as pessoas têm de perderem muitas coisas, amizades, relacionamentos, esposa, marido, simplesmente por não conseguirem entender o valor e a importância que o momento tem. Uma frase mal colocada, uma atitude impensada que pode durar um singelo instante e causar consequências desastrosas em diversas esferas da vida. Afinal, o futuro, aquele que ainda não existe, depende da somatória dos pequenos instantes que vamos passando e atuando. E como num jogo de montar, muitas vezes apenas uma pequena peça fora do lugar pode fazer ruir todo um castelo.
 
A melhor vacina contra esse mal é uma consciência desperta. Tanto buscada pelos mestres mais velhos, ter uma consciência desperta é estar atento aos quês e porquês, não nos permitindo agir por impulso, por indução ou por instinto, pois no fundo, nada disso é justificativa, e apenas nós somos responsáveis pelas nossas atitudes. Estar ciente disso também é um passo importante para entendermos quem somos e o que queremos ser. E a construção desse nosso eu, no inexistente futuro, depende apenas daquilo que construímos a cada instante presente.
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