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Entre o quês e porquês

Por: Raoni Rosa - 15/09/2014
artigo
Segundo o dicionário, um dos significados de racional é “O ser pensante; o homem (por oposição a irracional).” Esse Homem muitas vezes se considera melhor que os outros animais exatamente por essa capacidade de raciocinar, de “apresentar ou deduzir razões; discorrer sobre alguma coisa; ponderar; pensar.” E, de fato, o cérebro humano é uma maravilhosa máquina de pensar, de desenvolver raciocínios, de estabelecer conexões lógicas, baseado principalmente na experiência prévia, fazendo paralelos com aquilo que se conhece. Tanto que os grandes educadores e mestres dizem que para que novos conceitos sejam bem entendidos, deve-se primeiro destruir o que o aluno já conhece, para que ele seja capaz de criar novas conexões lógicas e racionais.
 
Eu sempre me considerei uma pessoa muito racional. Muito influenciado pelo meu pai, talvez a pessoa mais racional que eu já conheci, desde muito novo eu busquei entender os porquês de tudo o que me cercava. Também muito curioso, certamente essas duas características, racionalidade e curiosidade, foram determinantes na escolha da minha profissão.
 
Com o passar dos anos, comecei a perceber que nem tudo poderia ser racionalizado. Existiam coisas que não faziam parte do “reino” da razão, digamos assim. Claro, estava passando pela adolescência e começando a perceber e tentar entender os sentimentos que surgem nessa fase da vida. Bastante óbvio, embora nem por isso simples, demorei alguns bons anos para entender que os sentimentos são feitos para serem sentidos. Não racionalizados. Os sentimentos pertencem a um reino muito mais abstrato e individual. Você explica para uma criança quanto é 2+2. Mas como explicar a ela o que é o amor, ou o ódio, a não ser com exemplos ou metáforas?
 
Mas ainda estava muito preso à busca dos porquês. Por mais que tentasse evitar, muitas vezes a força do hábito me impulsionava a procurar os porquês de muitos sentimentos, especialmente os porquês certos sentimentos surgiram. E normalmente ficava preso, dentro de labirintos mentais que eu mesmo criava, buscando racionalizar aquilo que não tem razão. Ou que até tem, mas não nos é permitido saber nesse momento.
 
Então, em uma conversa recente com uma amiga psicóloga, ela me ajudou desfazer muitos desses labirintos. Quando estamos no reino dos sentimentos, muito mais importante que saber porque, é saber o que. É muito difícil explicar porque alguém gosta de vermelho, mas é bem mais simples buscar entender o que o vermelho o causa. De posse dessa resposta, é bem mais simples racionalizar e refletir sobre nossos sentimentos. Reflexão que deve ser a base da nossa movimentação. Shidoushi Jordan, em um texto recente, nos lembra da importância do pensar antes de agir.
 
Assim, entender o que o move é bem mais simples do que entende porque você se move. Porque, por mais racional que somos, os nossos sentimentos sempre falam muito alto. Então devemos buscar primeiro separar o que pertence ao mundo dos sentimentos e o que pertence ao mundo da razão. Para, em seguida, entender os porquês ou os o quês, dentro de cada reino, para termos as ferramentas necessárias para podermos pensar bem, refletir bem, para, então, atuar bem.
 
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