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Onde está o seu foco?

Por: Raoni Rosa - 22/09/2014
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Todos passamos por problemas. Não faz sentido pensar de outra forma. A questão é a forma como o encaramos. A literatura médica indica que a capacidade de lidar com problemas é uma das chaves para uma sensação de bem estar mais contínua, pois os problemas sempre surgirão, e continuamente termos que nos posicionar em relação a eles. Boa parte da nossa atitude frente aos problemas nós aprendemos. E, por ser aprendido, pode ser exercitado até chegar num patamar que nos agrade, ou seja, que sirva para nos propiciar essa sensação de bem estar.
 
A capacidade de lidar com problemas pode e deve ser exercitada desde tenra infância. A maneira como os pais permitem que a criança resolva suas dificuldades dita muito de como o adulto irá resolver as suas. Um exemplo são os pais que tentam facilitar ao máximo a vida da criança, achando que tirando as dificuldades estão tornando a vida dele mais feliz. Como pensar que essa criança irá aprender a lidar sozinha com as dificuldades no futuro? Além disso, jamais podemos subestimar a importância do exemplo: suponha que se ela veja que os pais resolvem tudo na força, no grito, como pensar que ela irá saber que existem outras formas? Então, é desde cedo, quando o bebê tem que resolver seus primeiros problemas, é que ele vai sendo treinado para enfrentar todos os que vierem em sua infância, adolescência e vida adulta. Mas é importante lembrar que muitas vezes nosso conceito de problema é bem diferente daquele da criança. 
Alcançar um brinquedo pode ser um grande problema para um bebê que acabou de aprender a engatinhar, embora seja ridículo para qualquer uma que já saiba andar livremente. E permitir a ele que tente alcança-lo sozinho é uma ótima forma de permitir que comece a desenvolver a capacidade de resolver problemas. E claro, à medida que elas crescem os problemas aumentam de complexidade, assim como a capacidade cognitiva de percebê-los e resolvê-los. O pediatra da minha filha me disse uma coisa que eu gostei muito: “Ponha muitas dificuldades na vida da sua filha. Você faz com carinho, o mundo lá fora faz de sacanagem mesmo!”. 
 
Mas esse não é o foco principal desse texto. A ideia aqui é levar a reflexão para o momento que identificamos o problema. Onde você se foca? Pra onde você olha? Existe uma estória que acho ótima para ilustrar essa questão. A autoria é desconhecida e a veracidade questionável, mas a lição é um bom exemplo:
Contam que quando começou a corrida espacial, os primeiros astronautas tiveram muitas dificuldades para escrever no espaço. Afinal, a sensação de imponderabilidade experimentada fora do campo gravitacional terrestre mais intenso faz com que as canetas esferográficas não funcionem. Então conta-se que os americanos investiram alguns milhões para criar uma super caneta que escrevia sob quaisquer circunstâncias. E que os russos usaram lápis. 
 
Ambos resolveram o problema. E qual a diferença essencial entre eles? Os americanos olharam para o problema: a caneta não escreve. Os russos procuraram pela solução: precisamos escrever no espaço.
 
Assim vale para tudo na nossa vida. Muitas vezes nos fechamos tanto em nosso problema que não vemos que a solução está ali, na nossa frente. Isso vale pra tudo, desde relacionamentos até aquele para-casa do seu filho que não sai de jeito nenhum! Focado no problema, em suas variáveis, em suas causas, não conseguimos observar o mais importante: qual a sua solução. Essa solução muitas vezes não é interna e intrínseca do problema, e por isso estar fechado dentro dele não nos ajudará muito a resolvê-lo. Posteriormente, reanalisar o problema e a solução encontrada, sem julgamentos ou preconceitos (no que se refere a conceitos estabelecidos a priori) é o que fará a diferença entre ter tido uma experiência ou apenas ter passado por mais um problema.
 
Outro dia estava relendo um texto do Shidoushi Jordan que traz uma instrução interessante sobre isso. Deve-se imaginar que nossos problemas constituem três terras, e nossos desejos e sonhos, o céu. Se olharmos apenas as terras, acharemos que os problemas são gigantescos e intransponíveis. Mas se lembrarmos que o céu é maior que qualquer terra, então veremos que a solução é sempre possível. Tudo depende do seu foco, pra onde você olha, em que você investe sua energia. Busque sempre encontrar soluções. Se foque em como sair do problema, e não no problema em si. É importante conhece-lo, mas não se deve prender nem se fechar nele.
 
Muitos acham que essa filosofia é apenas de pessoas otimistas demais. Ou pior, de pessoas que não conseguem enxergar o tamanho do problema. Claro que, como diz a música, “rir é bom, mas rir de tudo é desespero”. Mas em na minha particular e pessoal visão, isso é apenas uma outra forma de ver o mundo, de virar a moeda e tentar encarara as coisas de outra forma. Funciona bem para mim, embora não obrigatório que funcione com todos.
 
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