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COLUNAS

Se equilibrando

Por: Raoni Rosa - 29/09/2014
artigo
Essa semana estava um pouco sem inspiração para escrever. Muito trabalho, muitos problemas a serem resolvidos. E pouco tempo para atender a todas as demandas. Trabalho, família, hobby, lazer. Crescimento pessoal, estudos, crescimento espiritual. Desse conflito óbvio, surgiu a pergunta: como conciliar tudo isso?
 
Há algum tempo, uma pesquisadora amiga respondeu a um e-mail no qual eu pedia perdão pelo atraso no envio de um arquivo para ela dizendo que eu não devia me preocupar, pois todas as pessoas grandes que ela conhece hoje sofrem com problemas em relação a prazos. Eu disse então que não queria ser grande. Pequeno como sou já tenho problemas, imagine se crescer...
 
O fato é que o mundo atual exige demais. Temos que estar atualizados. Temos que ser bons pais/mães, filhos(as), esposos(as), profissionais. Temos que atender aos amigos e aos eventos familiares. Temos que ter Facebook, e mantê-lo atualizado, para que as pessoas saibam o que se passa na nossa vida (por mais estranho que essa frase possa parecer...). Temos que nos comunicar instantaneamente e constantemente via Whatsapp e outras dezenas de redes sociais que pipocam por ai... E ainda tem os e-mails que chegam sem parar, e muitos (estranhamente) precisam ser respondidos quase no mesmo momento que nos enviam. Quem nunca recebeu uma ligação do tipo: “te mandei um e-mail aí tem cinco minutos, você não viu não?”
 
Na biologia, isso é conhecido como trade-off: o tempo ou energia investido em uma atividade limita o tempo ou energia a se investir em outra. Logo, é preciso estabelecer prioridades. Mas como?
 
Nossos familiares precisam de atenção. Mas para sustentarmos uma família, precisamos trabalhar. Trabalho que muitas vezes exige muito mais que as oito horas que passamos na empresa. Se pensarmos no tempo que gastamos no transito, especialmente nas grandes cidades, é simples notar que o tempo restante para nossos familiares se reduz ainda mais. E o que é mais importante? A nossa família ou o trabalho que gera a renda que irá sustenta-la? Qual a sua prioridade? 
Vale a pena lembrar que passar tempo com alguém não quer dizer estar com alguém. A qualidade do tempo investido num relacionamento é muito importante também, talvez até mais que a quantidade de tempo investido. Logo, nada adianta estar com o seu filho, mas sem a menor paciência, sentado na frente da televisão assistindo ao seu programa favorito, não o dele. Mas é fácil relaxar e ter paciência quando as contas não param de chegar, e o dinheiro já acabou faz tempo? E, para complicar ainda mais, existe um autor, Gary Chapman, que descreve cinco “linguagens” do amor. Em outras palavras, cinco formas diferentes de como as pessoas interpretam nossas ações e atitudes para se sentirem amadas. Logo, o que você faz para sua esposa(o) pode não servir na mesma proporção para seu filho, ou seu pai.
 
Estabelecer prioridades não é uma tarefa fácil, mas é uma prerrogativa pessoal e intransferível. Só você pode elencar o que é mais importante, e logo, apenas você irá colher os frutos – ás vezes amargos, da lista que você determinou. Longe de mim ou de qualquer um dizer o que é mais importante na vida de alguém. A ideia aqui é só levantar a bola e deixar cada um chutar para o lado que lhe convier. A única sugestão talvez seria buscar estar desperto para o momento. Não fazer as coisas no automático. Muitas vezes, a velocidade de informações, a quantidade de cobranças nos faz desligar o comando central e nos deixamos ser levados pela maré. O problema é que muitas vezes, ao tentarmos retomar o comando, já não fazemos mais ideia de onde estamos, ou como viemos parar ai.
 
Já li várias versões da história abaixo, mas a ideia é sempre a mesma. Desconheço a autoria, e ficaria honrado de coloca-la aqui caso alguém possa me informar.
 
Certa vez, o mestre pegou um pote de barro, chamou o seu discípulo e colocou algumas pedras, muito grandes, dentro do pote e perguntou ao discípulo:
 
- Está cheio?
 
E o discípulo respondeu: - Sim.
 
O mestre pegou uma sacolinha cheia de pedregulhos, a virou dentro do pote e tornou a perguntar ao seu discípulo:
 
- E agora, o pote está cheio?
 
O discípulo respondeu com firmeza:
 
- Sim, mestre. Desta vez o pote está totalmente cheio.
 
O mestre então pegou uma lata de areia e a derramou dentro do pote, areia preencheu os espaços entre as pedras grandes e os pedregulhos.
 
Após o mestre encher o pote com a areia até o topo, o discípulo afoito disse:
 
- Pronto! Agora acabou mestre, não é possível colocar mais nada neste pote.
 
O mestre respondeu com um sorriso e virou um copo d'água dentro do pote de barro. A água encharcou e saturou a areia.
 
Depois disso, o mestre pegou um novo pote vazio e pediu que o discípulo repetisse a experiência, só que desta vez na ordem inversa dos elementos.
 
O discípulo começou colocando a água, depois areia, depois os pedregulhos e por último tentou colocar as pedras grandes, mas estas já não couberam no vaso, pois boa parte havia sido ocupada com coisas menores.
 
O mestre então se dirigiu ao discípulo e concluiu a lição:
 
- O pote de barro é a nossa vida. A nossa disponibilidade de tempo é o que cabe dentro do nosso pote.
 
As pedras grandes são as coisas realmente importantes da sua vida:
...seu relacionamento com Deus, com a família e amigos, seu crescimento espiritual e pessoal. .
 
Se você der prioridade a isso as demais coisas se ajustarão por si só:
... seus afazeres com a profissão, seus bens e direitos materiais, seu lazer e todas as demais coisas menores que completam a vida.
 
No entanto, se você preenche seu tempo com coisas pequenas, as realmente importantes nunca terão espaço em sua vida.
 
Nesta experiência vimos que o tempo é, antes de tudo, uma questão de prioridades, de saber o que vem em primeiro lugar.
 
Muitas vezes perdemos a nossa saúde para ter mais dinheiro, para depois perder o dinheiro para ter mais saúde.
 
Adicionamos dias à extensão de nossas vidas, mas esquecemos de adicionar vida à extensão dos nossos dias.
 
Engolimos os fatos da vida da mesma forma que engolimos o alimento no horário de almoço.
 
Precisamos aprender a saborear a vida.
 
Viver é saber transformar os pequenos instantes em grandes momentos.
 
A felicidade não é um destino, é uma caminhada.
 
Caminhando pela vida entre as coisas que passam é que vamos aprendendo a abraçar as coisas que não passam.
 
Seja o dono do seu pote e o transforme em um pote de felicidade.
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