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Mestre - aluno: montanhas e valores

Por: Thiago Moraes - 13/10/2014
artigo
Todos nós passamos por momentos que chegam em nossas vidas e provocam largas vias de profunda reflexão. Momentos em que o encaixe da vida muda inesperadamente e somos obrigados a reordenar verdades e mentiras no mundo que chamamos nosso. Seja pelo lavrado da dor ou pela escultura do amor, amadurecemos!
 
Nessas mudanças de encaixes, em geral o cenário pessoal em que se está inserido muda drasticamente. Às vezes não somente muda, mas cai por terra, como por exemplo um casamento que chega a um repentino amargo fim e a onda transformativa percorre desde a ausência da outra pessoa até o palco diário da rotina. De uma forma ou de outra, quando esses momentos chegam, geram um vazio de várias dimensões e em várias camadas da existência individual, quando não mais encontramos a suposta realidade que criamos para nós mesmos. 
 
Nos sentiremos tristes, sozinhos, abandonados... Muitas vezes acompanhado da sensação de que "o chão se abriu", esse vazio é condição para que se reconstrua, se movimente; abre espaço para que possamos rearranjar por dentro, reencaixar as peças e crescermos. Se avaliarmos bem, são profundas oportunidades para os que trilham a estrada do autoconhecimento e da espiritualidade.
 
No caso da relação mestre-aluno, algo semelhante ocorre quando o aluno passa dos limites do que é construtivo e atua além do equilíbrio do respeito. Antigamente, diante de tal, os mestres enviavam o aluno para a montanha, onde ele teria que enfrentar a noite, o frio, a fome, os perigos, a solidão… Com a ideia de que deveriam preparar o aluno da melhor forma para a vida, partiam do princípio de que a vida seria muito mais dura para com o discípulo do que as provações que o mestre poderia colocar. Assim, criavam as condições para que o aluno saísse de um casulo com uma visão míope e centrada em si mesmo e amadurecesse para uma nova abordagem diante das certezas, das escolhas e dos valores que resistiriam ao tempo.
 
Digo valores porque esses são o que não se negocia! Aquilo que possui importância tal para você que não se enquadra na categoria do “quanto custaria”!
 
Claro que diante de distintas situações, cada pessoa encontra interpretação dentro daquilo que é mais fortemente associado na sua mente e mais próximo esteja da sua consciência. Somos todos livres! Mas será que somos? Ensinam os mais sábios que somos livres quando não somos impedidos de nenhuma forma, e ao mesmo tempo temos a capacidade de construir e de destruir sabiamente, sem apegos. No entanto, é importante lembrar que a caminhada para tornar-se livre dos próprios demônios internos passa pela tenda da humildade, do respeito e da capacidade de mudar!
 
Não é apenas questão de mudar. É questão de saber mudar, de ir se conhecendo fora das projeções ilusórias do ego.
 
O mesmo ocorre com as paixões refreadas, com os amores contidos em verdadeiros cofres-fortes internos: quantas vezes deixamos de viver e experienciar o que nos toca profundamente porque pecamos pelo apego ao passado, ou às opiniões alheias que em nada contribuem para o nosso crescimento frente ao espelho?
 
Um grande amigo, hoje um grande professor de Judo, esteve há alguns dias em minha casa em uma agradável visita e disse: “Sinto muita falta de estar perto dos meus antigos mestres! Hoje já não me interesso tanto por suar em um Dojo, mas as conversas me fazem falta, os conselhos! Pena que talvez eu não soube dar o devido valor! Diga-me se os tratei mal no passado quando…”
 
Pensei comigo: existem várias formas de se estar na montanha além das tradicionais, não é?
 
Uma história sobre valores:
 
O pai, vendo que o fim da vida estava se aproximando, chamou o filho para ensinar-lhe uma última lição. Pediu que o filho o acompanhasse e se dirigiu então a uma mulher casada, de meia idade, que conhecera há pouco tempo:
 
- Tenho uma proposta a lhe fazer. Estou velho, não tenho mais muito tempo por aqui… Gostaria de experimentar os prazeres de uma mulher mais uma vez. 
 
Percebendo a estranheza da moça, logo emendou:
 
- Fique tranquila, ninguém jamais ficará sabendo. Além disso, tenho muito dinheiro, e não vou levar nada comigo mesmo! Então, para te recompensar, posso te ajudar com muito dinheiro, que vai facilitar sua vida. Por meio milhão de reais, você iria para a cama comigo?
 
A mulher sentiu-se mal por um instante, mas logo depois refletiu: é verdade que meio milhão de reais arrumaria minha vida. Após um dilema pessoal, disse:
 
-Tá bom. Mas ninguém pode ficar sabendo!
 
E o homem respondeu:
 
- Sem problemas. Agora, diga-me, e por 50 reais, você iria para a cama comigo!
 
- Mas que absurdo! Como o Sr. me faz uma proposta dessas? Que tipo de pessoa você acha que eu sou?? – esbravejou a moça.
 
- Bom, isso nós descobrimos na primeira pergunta. Agora, vamos negociar o preço…
 
 
 

 

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